Notícia | Fliperama Análise
Resident Evil
06/03/2010 às 18:06
Resident Evil
Além de ser um dos mais charmosos e cativantes jogos lançados para a plataforma PSP (competindo com os pequenos ciclopes de Patapon), Locoroco era também um de seus melhores puzzles. A SCE Studios,...
8.7
Ótimo
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
O terror foi sempre um delicado tema nos videogames, o que é de se espantar, já que a necessidade de imersão é um grande potencializador do horror. Às vezes, é mais assustador ler um livro de terror, que exige similar participação da imaginação do que assistir a um filme. O fato é que o primeiro game a realmente assustar o público, com uma mescla de mistério e um personagem realista, quase incapacitado em frente ao perigo, foi o famoso Alone in the Dark.

Apesar de sevir de inspiração, Shinji Mikami, para criar sua obra-prima, deixou de lado os elementos fantasiosos e o estilo que remete à obra literária de H.P. Lovercraft do game frânces, a favor de uma experiência mais visceral de terror. A trama de Resident Evil acaba se perdendo um pouco nesse âmbito, se tornando redundante em alguns momentos. Estranhos incidentes ocorreram nos bosques das montanhas próximas à cidade de Racoon City e, por alguns dias, cadáveres atacados pelo que poderiam ser ursos selvagens foram achados na região. Uma família inteira foi achada em igual maneira. O grupo especial S.T.A.R.S. foi enviado para investigar a área. O destacamento Bravo sumiu misteriosamente e, logo, a equipe Alpha desce ao local para resgatar os companheiros. Depois de uma curta caminhada, a equipe é atacada por monstros e os personagens principais, Barry, Jill Valentine, Chris Redfield e Albert Wesker, sobrevivem se abrigando numa enorme mansão.

O jogador toma controle a partir daí de uma das mais assustadoras experiências proporcionadas pelo console da Sony. A narrativa prossegue lentamente, com sua cota de intriga e uma ou outra reviravolta, mas o clima de filme B reina, com vilões maquiavélicos, personagens com pouca profundidade emocional e todo o clichê de filme de terror imaginável. Mas garanto que, em 1996, e mesmo até hoje –e principalmente com o remake do Gamecube – há poucos games mais aterradores e climáticos.

Resident Evil, se não definiu de uma vez por todas o gênero Survival Horror, ao menos consolidou a estranha modalidade de jogabilidade característica do gênero. O jogador seleciona entre dois personagens, Jill e Chris, cada um com modalidades distintas de jogo: Jill tem em mãos uma lockpick que possibilita que boa parte das portas sejam abertas sem a necessidade de carregar uma chave, além de contar com uma pistola logo de início. Chris é indicado para hardcores, pois além de ter espaço de inventário menor que o de Jill, carrega uma faca até conseguir achar um armamento digno. O que eles têm em comum, porém, é a estranha maneira de percorrer os cenários. A analogia do tanque parece servir bem: assim como este veículo, os personagens precisam girar, achar o ângulo desejado e, só assim, avançar (o que ocorre linearmente). O sistema de saves exige que o jogador tenha tinta – que ocupa um espaço no inventário – para digitar em máquinas de escrever. Finalmente, como já falei bastante do inventário, os personagens em Resident Evil têm um limitado espaço para estocar os itens, em um sistema parecido com uma versão mais claustrofóbica do inventário de Diablo. Itens sobressalentes podem ser estocados em baús achados pela casa e relativamente distantes um do outro.

Se por acaso esta é a primeira vez que você lê sobre Resident Evil, te dou razão se achar estas decisões de design um bocado esquisitas. Elas são fora do padrão, principalmente do padrão de movimentação analógica tridimensional de games mais modernos. Daria a desculpa de que o Playstation e muitos consoles ainda estavam experimentando a realidade do 3D e com o maior espaço dos CD-ROMS e que, portanto, muita coisa ainda não estava refinada. Mas Mikami parece tê-lo feito de propósito, pois a falta de agilidade que a movimentação permite e a necessidade de pensamento calculado em situações tensas cria uma sensação de urgência palpável e uma experiência de tirar o fôlego e, finalmente, um nível de horror não alcançado por games antes dele. Mas a lógica de saves e de inventário acaba assombrando indiretamente o título: apesar de adotarem mais uma camada de estratégia no jogo, eles significam que o jogador vai ter que visitar muitos cenários, centenas de vezes, seja para pegar um Ink Ribbon estocado ou um item em algum baú distante. Não ajuda o fato do game ser cheio de puzzles e quebra-cabeças pouco intuitivos – os habitantes da casa pareciam ter algum tipo de fetiche por jóias e dispositivos esquisitos – além de uma dificuldade considerável. O jogo, mesmo com os problemas, é divertido e recompensador. Os jogadores podem ver os itens na tela, investigá-los e mesmo conseguir armas mais poderosas. Só não espere achar munição muito facilmente: balas são relíquias neste game e muitos conflitos são melhor resolvidos sendo simplesmente evitados.

No departamento gráfico, Resident Evil impressiona e mostra muito bem as capacidades do Playstation. Mikami utiliza a idéia de Alone in the Dark, dos cenários estáticos pré-renderizados, com personagens 3D dinâmicos, para criar um rico cenário visual. Os personagens são bem delineados e o cenário cheio de detalhes, desde o matagal do lado de fora da mansão até uma parede repleta de quadros e um corredor iluminado repentinamente por um trovão. A direção artística não fica para trás, injetando personalidade e variedade aos cenários. O jogador passará pela mansão, por grutas e, finalmente por laboratórios futuristas, tudo isso enquanto é perseguido por criaturas variadas, desde os zumbis convencionais até aranhas e cobras gigantes, todos muito bem animados. Um ponto fraco são os filmes responsáveis por fazer andar a narrativa. Todos são feitos em live-action, com atuações bregas e questionáveis e uma redação, no geral, mediana.

Resident Evil entrou para a história dos games por criar, quase que solitariamente, um gênero distinto – e de complicada explicação. Muito de seus conceitos são repetidos até hoje por uma variedade de games e o próprio gênero que ele criou está em plena evolução e mudança. Por isso mesmo, indico o game, uma aula histórica sobre terror e jogabilidade tridimensional.
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