Notícia | Fliperama Análise
Chrono Trigger DS
19/12/2009 às 02:20
Chrono Trigger DS
A indústria de games tem lá suas obras-primas, games relevantes até hoje justamente por sua qualidade técnica e artística e pelo fato de inspirarem inúmeros títulos e criar conceitos no cenário. Ch...
8.8
Ótimo
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
A indústria de games tem lá suas obras-primas, games relevantes até hoje justamente por sua qualidade técnica e artística e pelo fato de inspirarem inúmeros títulos e criar conceitos no cenário. Chrono Trigger, o clássico do Super NES de 1995, é, sem dúvida, um deles, e dirigiu o modus operandi de RPGs japoneses desde o seu lançamento. O game foi homenageado com uma continuação em 2000 para o Playstation e uma releitura para o mesmo console, no pacote Final Fantasy Chronicles, de 2001. O título chega no DS em uma versão completamente revisada, explorando até mesmo a dinâmica das duas telinhas do console.

Para quem desconhece Chrono Trigger, o jogo é um RPG com um sistema de combate inovador para sua época – e bem atual até hoje - e uma trama que envolve viagens no tempo, de uma complexidade e drama únicos. O game começa com Crono acordando em meio ao festival que comemora o milésimo aniversário do reino de Guardiã. A pedido de sua mãe, o rapaz vai atrás de sua amiga Lucca, que aproveitou todo o movimento do festival para demonstrar sua mais nova invenção ao público. No caminho, Crono conhece uma misteriosa garota, Marle, e os dois então vão ao encontro de Lucca. Ao ligar a máquina, que supostamente funcionaria como um dispositivo de transporte, uma reação estranha ocorre com o pingente que Marle carrega e um acidente cria um portal espaço-temporal que some com Lucca. A dupla então se lança no portal e dá início a uma das mais poderosas narrativas do mundo dos games. É algo que qualquer jogador deve experimentar e acaba sendo a resposta do porquê Chrono Trigger é ainda popular. A trama conta com um interessante sistema de acompanhamento de ações: conforme o jogador age em uma linha de tempo, suas decisões vão empreender mudanças em outras épocas do game. Chrono Trigger foi um dos primeiros games a se focar em um sistema narrativo de causa e efeito. Além disso, a trama conta com 13 finais diferentes – e um outro adicionado para esta versão, que liga o jogo com Chrono Cross e resolve alguns buracos da história.

O sistema de combate parece, superficialmente, o de qualquer outro JRPG: os combates ocorrem em turnos, um personagem por vez, e o jogador deve atacar selecionando as habilidades dentro de um menu textual. Em Chrono Trigger, uma das habilidades é um golpe que envolve todos os três heróis. Este ataque muda levando em consideração as personagens que o jogador se preocupou em evoluir e que estão no grupo ativo – aqueles três que entram em combate – o que acaba encorajando o uso de todos em combate. A construção de cada personagem é um dos pontos fortes da narrativa e todos são únicos e carismáticos o suficiente para tornar a administração de níveis e habilidades algo bem relevante na experiência do game. Dentro do combate, a formação dos inimigos ou mesmo dos heróis nunca é uma constante e, considerando que muitas magias e ataques atingem dentro de um dado raio ou em uma linha reta, a mudança na disposição dos oponentes é algo a ser pensado na tática dos combates e torna cada encontro único. Os combates em Chrono Trigger não são randomizados, o que significa dizer que o jogador estará sempre vendo os adversários na tela de jogo e, assim, não é pego de surpresa. Há uma ou outra exceção, mas no geral o gamer estará sempre preparado para os encontros contra os adversários.

A versão para o DS traz, além de cenas em anime e um menu com as músicas do jogo, todos já disponíveis na releitura do PS1, duas novas áreas, um novo final e uma tradução que se aproxima mais do original em japonês. As duas regiões são a Lost Sanctum, que apresenta uma coletânea um pouco frustrante de missões repetitivas, e a Arena of the Ages, onde o jogador pode treinar monstros para batalhas no estilo de FFXII. Ambas as novidades acabam interferindo muito pouco na trama principal e são um pouco redundantes, resultando apenas em passatempos para os jogadores que quiserem um tempo do conflito central. As duas telas são usadas de forma meio leviana, resumindo em arrastar o mapa e os menus de combate para a tela de toque. Isso deixa a tela superior somente para o game em si, mas usar a Stylus no meio da batalha é um pouco menos intuitivo que usar os controles tradicionais.

Visualmente, Chrono Trigger funciona mais em um fator nostalgia: quase nada foi mudado nos sprites, nos modelos e cenários inclusos, embora a tela reduzida torne os gráficos mais redondos e belos. A trilha sonora, composta pelos mestres japoneses Nobuo Uematsu e Yasunori Mitsuda, é incrível e épica, trazendo mais emoção aos acontecimentos do jogo, em uma coletânea sonora memorável e disponível completa em um menu inserido no game. A qualidade MIDI das músicas acaba atrapalhando um pouco, mas o pior problema da apresentação sonora é que o áudio das animações inclusas é granulado.

No fim das contas, Chrono Trigger DS acaba sendo a melhor versão do clássico, completa como a do pacote de Final Fantasy Chronicles, sem todas as telas de loading que assombravam o jogo, além de contar com atividades novas que, embora um pouco redundantes, só fazem melhorar a experiência original.
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