Notícia | Fliperama Análise
Bayonetta
26/04/2010 às 12:01
Bayonetta
Bayonetta é sexy e é isso justamente o que a desenvolvedora Platinum Games quer que você pense. É a própria Bayonetta o centro gravitacional da experiência....
9.0
Ótimo
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
Bayonetta é sexy! Indiscrição à parte, é isso justamente o que a desenvolvedora Platinum Games quer que você pense. A poderosa bruxa protagonista do título se move com a leveza de um lince e a desenvoltura de uma supermodelo, seu vai-e-vem um hipnótico show de coreografia, luzes e sensualidade (sem nunca descer do salto). Seu longo e brilhante cabelo escuro é usado não só como condutor para conjurar uma diversidade de criaturas, armadilhas fetichistas e magias, mas também cobre todo seu corpo como um couro leve e arrojado, vestimenta que se desmancha em rápidos momentos sempre que Bayonetta invoca algum de seus poderes. Suas proporções são quase comicamente exageradas (de fazer as pernas da Anna Hickmann parecerem gelatina), e o charme é tanto que a guria chega a sangrar rosas. Sério!

Gastar um parágrafo inteiro falando sobre uma personagem de videogame pode parecer exagero, mas, neste caso, é a própria Bayonetta e seu temperamento radical e sexualmente ativo o centro gravitacional da experiência, influenciando tanto o conceito de seu gameplay quanto o do próprio ambiente de jogo. Claro, por outro lado ela está longe de ser um símbolo feminista – e pode passar até por mulher-objeto em algumas cenas – mas não é esta a discussão proposta pelo game. Afinal, Bayonetta habita um mundo feminino que beira o expressionismo, com um exagero de neon, couro, plumas e camurça. Exagero! Eis a palavra que resume Bayonetta, no geral, tanto em suas qualidades quanto em seus defeitos. Confira mais detalhes.

Só vim te dizer... boa noite!

O clã de bruxas Umbra e das sábias Lumen tem estado em constante harmonia há séculos, controlando o balanço entre a Luz (representada pelas criaturas do Paradiso) e as sombras (que englobam as do Inferno), mas depois de uma terrível catástrofe e de um rompimento da ordem celestial instaurada, o caos reina e a rejeitada bruxa Bayonetta acaba como a última sobrevivente de sua raça de bruxas. Esta é mais ou menos a premissa inicial de sua trama. Sim, ela pode soar legal e original, mas não tem jeito: a narrativa é a primeira vítima do “design-exagero” do produtor Hideki Kamiya e de seu time. Personagens aparecem sem qualquer relação aparente: um gordo com jeitão de Danny DeVito, um obscuro mercador das trevas, uma garotinha indefesa muito parecida com a heroína e até um par romântico cruzam o caminho de Bayonetta, muitas vezes, sem introdução ou desenvolvimento apropriados. Bruxas lutam contra anjos, mas, no fim das contas, mais importante que a trama é justamente onde ela te leva: Bayonetta é repleto de lugares interessantes e cenas de impacto de tirar o fôlego – o jogo já abre em uma luta contra arcanjos e dragões em cima de uma torre em queda-livre, e daí pra frente só fica mais absurdo. Como outro ponto positivo, o game foge de clichês e, mesmo que você lute contra as forças do bem, Bayonetta nunca sequer parece ser alguém odiosa e vil, e os próprios anjos nunca deixam de lado ações bestiais. Tudo é neutro e isso cria uma sinergia interessante entre herói e vilão.

Profundidade narrativa nunca foi o forte de Hideki Kamiya (de Devil May Cry) que aposta tradicionalmente no fantástico e em um gameplay sólido para cativar os jogadores. Neste sentido, Bayonetta não fica para trás. Embora a sensual bruxa possa ter uma leveza de uma bailarina, nunca queira tê-la como parceira de Sparring. A moça sabe bater pra machucar, usa quatro armas de fogo simultaneamente (duas nas mãos, duas encaixadas nos saltos-altos) e até mesmo o combo mais simples termina com Bayonetta invocando uma enorme mão ou um salto Stilleto gigante para golpear o adversário. Tudo é governado por uma mecânica de combate que leva em si tendências de quase todos os jogos de Kamiya. O combate é ágil e cheio de profundidade, bem no estilo Devil May Cry e cada uma das diversas armas tem uma ampla lista de combos possíveis, que necessitam diferentes combinações de botões (entre soco, chute e disparo), direcionais e até ritmo. Combates podem ser vencidos socando botões aleatórios, e se tornar um mestre em Bayonetta é só para profissionais. Mas, diferentemente de outros jogos de seu estilo (menos talvez Ninja Gaiden Black), o gameplay chega a momentos que realmente encorajam o jogador a repensar sua abordagem de ataque, experimentando novas combinações em um mergulho que, devido ao bem ordenado sistema de jogo, se prova extremamente divertido e recompensador.

Emprestando uma nota de outros jogos de Hideki Kamiya – principalmente God Hand e Viewtiful Joe – o principal meio de defesa de Bayonetta é desviar atleticamente dos golpes adversários. E é numa mistura e revisão desses modelos que surge a mecânica do Witch Time, que nada mais é que a capacidade de parar o tempo por alguns segundo depois que Bayonetta executa a defesa no momento exato, deixando inimigos indefesos e incapazes de responder a algumas bordoadas bem dadas. É uma habilidade extremamente útil para sair de situações apertadas: aqui a defesa, de fato, é o melhor ataque. Quanto às armas, elas existem aos montes, e podem ser combinadas em uma variedade de formas entre os quatro membros da heroína, dando ainda mais variedade ao combate. É ainda possível pegar o armamento que inimigos deixam para trás, embora eles costumem funcionar com bem menor flexibilidade que as outras opções de ataque e tenha uma durabilidade finita: use-as muitas vezes e elas logo quebrarão. Como última grande função ofensiva, Bayonetta tem à sua disposição golpes devastadores quando enche sua barra de magia no decorrer do combate (representada pelos vários círculos abaixo da barra de vida). Eles compõem uma série de armadilhas de tortura que são invocados pela bruxa para detonar um dado adversário em uma só tacada. Inimigos derrubados deixam para trás diversos itens, entre eles auréolas (que parecem anéis do Sonic e, acreditem, não é a única homenagem do game ao ouriço azul) que servem para comprar novos equipamentos e pirulitos, que servem para recompor a energia de Bayonetta. Sim, pirulitos!

Embora estejamos cheios de elogios para dar para o sistema de combate de Bayonetta – inclusive um dos mais sólidos exemplos em seu gênero – reconhecemos: nem todos vão curtir. As lutas podem se tornar embates confusos, e com inimigos aparecendo de todos os lados e todas as luzes e confetes que saem dos golpes da heroína, às vezes é difícil cair na real de que é você quem a está controlando. A dinâmica do combate fica ainda mais acelerada nos estágios finais, tornando-se um psicodélico exercício de executar inputs. Se você já está acostumado ao “exagero” que marca quase toda a obra de Hideki Kamiya, seja bem-vindo. Agora, se você está acostumado a jogos como Fight Night Round ou God of War, você terá muito com o que se acostumar com o design oriental catártico do game. O ritmo do jogo é algo que talvez desagrade alguns. Não espere uma progressão tradicional e bem dividida de fases com subchefes no percurso e chefes no final. Os grandes embates acontecem em momentos aleatórios e quase sem aviso prévio e é comum que chefões de fases iniciais se tornem inimigos corriqueiros mais para o final do jogo, o que deixa de ser um problema levando em consideração a criatividade e intensidade das batalhas. O cenário de jogo, embora impressionante, é altamente linear. Finalmente, fora a indiscutível qualidade do game, há pouca razão concreta para retornar ao jogo senão abrir e testar novas dificuldades (que tornam Bayonetta, desculpe o trocadilho, um jogo “cabeludo”) e tentar conseguir um ranking melhor em cada fase. A campanha principal leva por volta de 15 horas para ser completa.

A terra das mil maravilhas

O mundo de Bayonetta é vibrante e cheio de detalhes, com uma arquitetura que vai de megalópoles modernas até algo que lembra as obras do espanhol Antoni Gaudí, com suas curvas suaves e texturas e cores chamativas. Os personagens não ficam para trás: além do fantástico design do casting principal, os inimigos são bem variados. Bayonetta enfrenta dragões de duas cabeças saindo de rostos invertidos, anjos que mais parecem harpias e gigantes estátuas de mármore atiradores de raios laser. Criatividade sobra nos estúdios da Platinum Games. Os efeitos são igualmente variados, com especial citação sendo todos os movimentos que usam do cabelo da heroína e o próprio dano no corpo dos adversários, que, do branco e dourado celestial, se transformam gradativamente em um vermelho demoníaco e formas caóticas. Importante: A versão do PS3 é assombrada por texturas menos definidas, queda de framerate e momentos de loading quase inexplicáveis (seis segundos para entrar na tela de pausa?!). Num nível técnico, não se compara à versão para o Xbox 360. A razão está no fato de que a própria Platinum não foi a responsável por criar a versão para PS3 (Bayonetta foi originalmente desenvolvido como exclusivo para a plataforma da Microsoft), mas como os lucros de um lançamento multi-plataforma soariam bem-vindos para a publisher Sega, ela mesma tomou as rédeas e moldou o game ao hardware do PS3. A Sony eventualmente entrou na dança (preocupada com a chance de uma versão mal-feita), mas os resultados ainda colocam Bayonetta para PS3 aquém do game do Xbox 360. Se você tiver a opção, não pense duas vezes.

O jogo é cortado por cenas na própria engine do game e por outras em um estilo HQ que mostram os personagens em poses estáticas sob um fundo dinâmico. Essas últimas não são lá muito animadoras e, somadas à história nonsense, parecem desnecessárias e fogem ao charme do resto da apresentação visual. No melhor estilo Hideki Kamiya, a seleção musical de Bayonetta vai do J-Rock ao Jazz (inclusive com uma versão de Fly Me to The Moon, de Frank Sinatra, com uma remodelagem com gostinho oriental) e embora seja capaz de se harmonizar com a premissa feminina e sensual da protagonista, ela perde sentido no meio das cenas de ação que povoam o game.O trabalho de dublagem é insosso, e alguns sotaques (ítalo-americanos, britânicos - tem de tudo) são realmente um pouco forçados. Mas convenhamos, a voz de Bayonetta é um bocado sexy e capaz de causar um arrepiozinho ou outro.

Durante o jogo e no apertar de um botão, a heroína assume uma pose de pin-up e pergunta, provocante, para seus adversários: “Wanna touch me?” (quer me tocar?). Este desnecessário e absurdo movimento, assim como uma centena de outros, pode fazer a personagem parecer um objeto irrelevante e de mau gosto. Mas, com um tempo de jogo, o convite te entrará na cabeça de outra forma: tocar/interagir/jogar (dá na mesma nesse caso) uma personagem tão leve, ágil e versátil como Bayonetta é mesmo uma experiência rara. Controlá-la tendo como base um sistema de combate ofensivo de um numeroso leque de opções, enfeitado pela opção defensiva dado pelo sistema Witch Time, é fora de série. O jogo, claro, tem suas delimitações e defeitos: ele é linear até o osso, sua trama é bagunçada e exagerada e o áudio deixa um pouco a desejar. Hideki Kamiya e seu time não reinventaram a roda, mas poliram a fórmula de todo um gênero a um novo nível de brilhantismo. Com isso dito, se games como Devil May Cry e Ninja Gaiden não são sua praia, talvez não haja tanto aqui que vá te atrair. Para todo o resto, a nova aventura da Platinum Game é um jogo delicioso e obrigatório para sua coleção.
Norte Digital
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