Notícia | Fliperama Análise
Lost in Shadows
21/10/2010 às 15:26
Lost in Shadows
A Hudson traz um game plataforma original, charmoso e onde o jogador fica relegado ao segundo plano. Literalmente....
8.0
Bom
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
Desde que Jumpman virou Mario, o gênero plataforma já viu de tudo. Porcos-espinho correndo por loops, encanadores pulando em cima de cogumelos, brutamontes correndo com uma espada nas mãos, engravatados capazes de mudar o andamento temporal, etc. Eternamente capaz de se reinventar, é de se estranhar como não vemos mais tantos side-scrollers por aí hoje em dia, empurrados como estão pelo avanço de tecnologias visuais cada vez mais complexas. Mas é aproveitando a onda d games para o Wii - normalmente de menor orçamento e mais raras exigências que títulos de mercado mais tradicionais - que a Hudson traz uma nova perspectiva para o gênero. Literalmente! O estúdio está para lançar Lost in Shadows, um charmoso plataforma onde toda a ação ocorre, na verdade, no background. O Fliperama teve a oportunidade de testar uma boa porção do game e traz para vocês um pouco da experiência.

Lost in Shadows segue a jornada de um garoto que tem sua sombra retirada de debaixo dos seus pés pelo golpe de uma espada encantada. O corpo do menino é deixado sob o sol, enquanto sua sombra é lançada do topo de uma gigantesca torre por um misterioso mago. Quando o rapaz se dá por si, ele descobre que não mais está no controle de seu corpo físico, mas sim de sua indefesa sombra. É com essa inusitada premissa que Lost in Shadows se inicia, mas logo de cara, as coisas podem parecer típicas de um jogo no estilo de Super Mario Bros.: o primeiro estágio é uma simples caminhada da esquerda para a direita, pulando em plataformas aqui e ali e se atentando para o peso de seu personagem. Por mais bizarro que possa parecer, a vitalidade da sombra é medida em quantas libras ela atualmente pesa. Cair de alturas muito altas, se espetar em lanças e armadilhas e ser atacado por inimigos resulta em um decréscimo de peso. Este pode ser recuperado de duas maneira principais: derrotando monstros e, mais interessante, coletando memórias perdidas pelo cenário. As memórias não só aumentam o limite de peso da sombra, mas trazem dicas de desafios futuros e uma boa exposição da história do jogo. Em Lost in Shadows, apresentação parece ser tudo.

Agora, se seu personagem é uma sombra, não é possível simplesmente movimentá-lo por uma plataforma sólida. O personagem depende da projeção de sombras contra o cenário para se mover. A ideia evoca sacadas visuais geniais, como uma fase onde a parede de fundo se mexe para lá e para cá e você vê o menino alternando entre ela e o fundo. Mas nem tudo é só colírio visual: a própria estética propicia um desafio e tanto. Embora as plataformas existam em 3D no mundo do jogo, a imagens que elas projetam na parede são bidimensionais. Vamos dizer, por exemplo, que um cano venha do alto do cenário e passe por trás de uma plataforma. Em um jogo convencional, isso seria apenas um detalhe tolo do cenário e você atravessaria sem qualquer preocupação. Em Lost in Shadows a história é outra: como a sombra do cano e da plataforma ficam todas no mesmo plano, esse detalhe banal vira um obstáculo intransponível, como se o cano fosse de fato uma barreira sólida.

Embora a animação detalhada do personagem e a preocupação em saltos precisos possam remeter ao bom e velho Prince of Persia, o verdadeiro desafio do game está em saber tirar proveito das cirscunstâncias do pobre garoto. O jogo todo é uma série de quebra-cabeças naturalmente dispostos no cenário, que embora difíceis de se descrever com palavras, são altamente intuitivos ao jogador. Enquanto os botões do controle se encarregam de movimentar o garoto (que se limita a correr, pular e dar algumas espadadas) o sensor do Wiimote controla uma fadinha que é o único elo entre o menino e o mundo concreto que o rodeia. Em diversos pontos da fase, o jogador deve usar a criatura para ativar mecanismos no mundo real que ajudarão o caminho do herói. Além de mexer plataformas aqui e ali, a fadinha ganha em alguns momentos a capacidade de mexer na iluminação do próprio cenário, esticando, encurtando e mudando completamente o formato das projeções no cenário e, consequentemente, o caminho do menino. A Hudson fez um bom trabalho em mexer na receita do game, e na meia dúzia de fases que tivemos a oportunidade de testar, uma variedade absurda de desafios e mecânicas nos foram apresentados.

Uma das melhores delas é um espelho mágico que, quando tocado, leva o personagem para um mundo alternativo completamente diferente. Os que pudemos testar incluiam um mecanismo que girava o cenário do primeiro plano e mudava completamente o jeito que as sombras se comportavam, criando novas áreas de acesso e mesmo perigos mortais se usada de maneira leviana. Embora tenhamos feito alusão ao progresso esquerda/direita de Super Mario Bros, a verdadeira progressão em Lost in Shadow está em colecionar três itens distintos espalhados pelo cenário e usa-los para romper a barreira no final de cada estágio. Até onde jogamos, o game fez um ótimo trabalho em temperar seu gameplay: os tais itens essenciais a continuidade do jogo começam a pipocar em lugares cada vez mais distantes e improváveis, e o uso de cada sutil ferramenta do game se torna uma necessidade de primeira ordem. Até os inimigos tem lá suas nuanças: os de olhos vermelhos podem ser despachados pela espada do personagem, mas são os azuis que vão te dar trabalhao. Invencíveis a qualquer investida do menino, eles só são destruídos se o jogador souber manipular o cenário ao seu redor. Na maioria das vezes, o trabalho é ativar armadilhas que, em outras ocasiões, ceifariam a vida do personagem.

Com a aposta em uma ideia de design tão ingênua e diferente e um visual que parece uma cria entre a obra do cineasta Hayao Miyazaki e do designer Fumito Ueda, a Hudson pormete trazer um sólido pacote com Lost in Shadows. Será um mercado difícil: com o lançamento de Kirby Epic Yarn e a predominância de games como Muramasa: The Demon Blade e a série Bit.Trip, será necessário saber se destacar. Some a isso o fato do game ter lançamento previsto para janeiro - enquanto o mercado está sofrendo os efeitos da ressaca de fim do ano - e não contar com a verba de publicidade de um Wii Sports, e o caldo só tem a engrossar. Mas deixando os fatos um pouco de lado, Losts of Shadows é um charmoso game que definitivamente merece sua atenção.
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