Notícia | Fliperama Análise
Resident Evil Archives: Resident Evil
26/04/2010 às 12:28
Resident Evil Archives: Resident Evil
A Capcom relança para o Wii o remake do game Resident Evil, feito popular no Gamecube. Confira se este Survival Horror vale ou não a pena. ...
8.0
Bom
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
Survival Horrors vêm e vão e compreendem um gênero ainda carente de completa característica. Dead Space e Dead Space Extraction flertam com ação e shooter; Silent Hill Homecoming transformou a série num festival de quebra-paus e, com a série Resident Evil não foi diferente (o quinto episódio é um bom indicativo). Mas também é difícil não questionar as próprias raízes do Survival Horror: muitas nuances do gameplay tradicional desse gênero seriam consideradas (e são muitas vezes) péssimas escolhas de design se não fossem propositais, usadas como meio de criar uma experiência tensa. Nesse contexto, a Capcom relança para o Wii o remake do game Resident Evil, feito popular no Gamecube. Confira se vale a pena ou não.

Esqueletos no armário

É noite em Racoon City quando o time BRAVO pousa em uma das montanhas da região. Sua missão é resgatar os integrantes do grupo ALPHA, que vieram ao local pra tentar desvendar estranhos assassinatos e casos de canibalismo. Perseguidos por monstros apodrecidos, os sobreviventes Jill Valentine, Chris Redfield, Barry Burton e William Wesker têm que lutar pelas próprias vidas em um casarão misterioso e em uma trama cheia de reviravoltas e terror. “Welcome to survival horror”, anuncia o game logo de início. E o problema é que estas boas vindas podem soar familiar demais. Não se engane, essa versão de Resident Evil Remake é exatamente a mesma experiência que foi lançada no Cube há 4 anos. Tempo o suficiente para o videogame ter evoluído sensivelmente, de modo que os controles do jogo original soam completamente jurássicos e quase impraticáveis para novos jogadores. Mas vamos por partes.

Em Resident Evil, o jogador deve explorar uma mansão e seus arredores atrás de chaves, engenhocas e pedras que os ajudem a abrir mais partes do cenário. No meio do caminho, o gamer será desafiado por zumbis e outros monstros conforme leva à frente sua exploração. O ritmo de gameplay é de fato lento: a munição para as armas é algo escasso, o que encoraja jogadores a pensar bem quando entrar em combate ou fugir. O inventário das duas personagens (Jill e Chris) é bem restrito e alguns baús são colocados em salas específicas. A ideia é levar apenas o estritamente necessário e voltar ao baú para pegar algo posteriormente. O conteúdo de um dos baús é magicamente transferido para todos os outros baús do game, o que auxilia no gerenciamento do inventário. O único meio de salvar o jogo são em máquinas de escrever e, mesmo assim, elas precisam de tinta, que existe em quantidade limitada e ocupa espaço físico no inventário. Mas o mais “polêmico” assunto é o controle da personagem: é difícil manobrá-la de forma ágil pelo cenário. A seta para cima faz a personagem avançar, enquanto as do lado servem para virá-la. Isso não muda mesmo se a perspectiva for outra: se avançar em uma parte do cenário significa ir para a esquerda, você ainda tem que apertar a alavanca para cima. É um pouco confuso para novatos e, na hora do desespero, prova-se pouco eficiente.

Fato é que este gameplay é o arroz e feijão da experiência de um Survival Horror tradicional, e para quem gosta dessa mecânica pouco intuitiva (que, acredite, cria sim uma atmosfera de tensão), o jogo para Gamecube juntou um pouco mais de tempero à fórmula originada do Playstation. Novas salas foram inseridas, novos inimigos foram introduzidos (todos um bocado perturbadores) e, no melhor estilo Director’s Cut, muitos dos quebra-cabeças foram mexidos e alterados. Os jogadores têm à disposição um movimento que faz com que o personagem vire 180° automaticamente e mesmo armas de defesa, o que possibilita que o gamer tenha um espaço para respirar em encontros mais violentos. Chris conta com uma faca e uma granada de mão, que pode ser colocada já ativada na boca de um defunto antissocial. Jill, por sua vez, também pode usar uma faca e um tazer para chacoalhar alguns esqueletos. E já que estamos no assunto, vai uma recomendação: novatos em RE devem primeiro jogar o game como a Jill, já que ela conta com um útil lockpick, que abre portas com as quais Chris precisaria se preocupar, tem mais vida e carrega uma arma desde o início da aventura. A diferença de desafio entre os dois personagens é marcante, e ajuda a criar um bom senso de replay. Mas a maior e mais marcante novidade do game tem um nome: Cabeças-Escarlate (ou Crimson Heads).

Os Cabeças-Escarlate são zumbis de um novo grau de pedigree. Depois que um morto-vivo cambaleante é derrubado, o T-Virus parece continuar agindo e, depois de um bom tempo, ele se transforma em um monstro de cor avermelhada (daí o nome), que, munido de garras enormes, corre atrás dos sobreviventes com uma fúria quase implacável. O Cabeça-Escarlate é realmente um inimigo formidável e exige que o jogador gaste ainda mais munição que o normal. Há três maneiras de evitá-los: a primeira é simplesmente evitando matar zumbis. A segunda é tendo a sorte de explodir a cabeça de um deles (isso é raro e depende da sorte). A terceira é tomando o cuidado de incinerar todo o cadáver que você (re)matar. Para tanto, uma garrafa de óleo e um isqueiro são necessários. E lembre-se, nada é infinito neste game. Os Cabeças-Escarlate jogam na fórmula mais um complicador interessante: se antes você evitava matar zumbis para economizar balas para momentos mais tensos, você agora evita matá-los também para não criar momentos mais tensos. E se você é do tipo covarde que prefere limpar todas as salas da mansão de corpos pútridos, fique preparado para ter dois espaços a menos em seu inventário constantemente. É uma estrutura de risco e recompensa e de gerenciamento que para muitos vai soar arrogante e irritante, e para outros vai parecer um desafio e tanto. Há certamente um nicho para este tipo de jogo, mas no console casual e familiar do Wii? Dificilmente. Se você está, por exemplo, atrás de um jogo que possa ser aproveitado em momentos curtos depois de um dia cansativo, é difícil recomendar Resident Evil Remake, visto que até mesmo para se salvar o jogo é necessário bater cabeça. Reclamar disso, claro, é não entender o propósito do game: RE Remake é para os hardcore!

Estamos aqui falando de versão do Gamecube pra cá, versão do Gamecube pra lá. Mas vem cá: e a versão para o Wii? Não é este o propósito da análise? Sim, de fato. Mas a verdade é que a versão Archive não traz nada de novo. Há toda uma opção de controle para o Wiimote, mas usá-lo parece irrelevante: o game não aproveita nenhuma função do sensor de movimentos e se você tiver um controller do Cube em mãos, use-o sem medo. A experiência é melhor.

A arte dos mortos-vivos

Seja lá que console for, há um elemento que trabalha a favor de RE: o terror. Temos nossa quilometragem com games de horror aqui no Fliperama: jogamos deste Silent Hill e Alone in the Dark antigões até atuais Fatal Frame e Dead Space. E é de se notar: nenhum nos deixou assustado como Resident Evil Remake. É, claro, um tipo de terror diferente: ele é mais visceral e momentâneo que o medo gerado pelo clima de tensão constante em Silent Hill e Fatal Frame, por exemplo. Mas vão haver momentos em que você vai ficar um pouco apreensivo de entrar em uma ou outra sala. Muitos dos sustos do game original do Playstation se mantiveram aqui e outros foram melhor trabalhados para pegar o jogador de calças curtas. Fique atento, por exemplo, ao velho cachorro que salta da janela e você vai perceber o carinho que a Capcom teve ao recriar e homenagear o jogo original. Genial.

Claro, boa parte do clima de suspense vem do trabalho audiovisual realmente impecável do jogo. Assim como o original do Playstation, a câmera e o cenário são estáticos, criando um efeito de falso 3D. Afinal os personagens tridimensionais percorrem um caminho naquilo que seria melhor explicado como uma pintura digital. Este formato permite que a qualidade visual dos cenários extrapole aquela permitida para visuais realmente 3D e a Capcom aproveitou ao máximo esta nuance: os cenários do game são verdadeiramente lindos. Os detalhes são muitos, da folhagem bem desenhada ao papel de parede intricado dos corredores a escadarias enfeitadas por uma dezena de pequenos quadros de família. E, pra mudar um pouco as coisas, os cenários agora estão repletos de elementos dinâmicos: trovões cortam o ar lá de fora, jogando uma febril luz branca no interior. Janelas batem com a força do vento, a água escorre de um córrego próximo e a grama responde de forma realista ao movimento do ar. Até mesmo a iluminação se tornou dinamizada em alguns pontos. Os modelos tridimensionais dos personagens e inimigos estão em uma qualidade tal que se mesclam de forma extremamente natural aos cenários, ajudando a fantasiar de vez a mecânica e ajudar a criar um ambiente altamente imersivo. O sangue que sai em baldes dos zumbis inclusive chega a manchar paredes. Ainda assim, as animações ainda são robóticas demais e os movimentos pecam em fluidez. Uma pena.

O uso do som foi sempre importante para um Survival Horror e aqui a preocupação não é diferente. É realmente enervante ouvir aquele gemido dos zumbis, que mais parece o ronco daquele bom e velho tio caidaço, e perceber que o perigo se esconde logo no corredor adjacente. E quando você está com os ouvidos atentos aos barulhos de passos úmidos de sangue, BAM! Um relâmpago explode do lado de fora e você tem um frenesi momentâneo de som. Suficiente pra te fazer se abrigar debaixo do sofá. Outro efeito a ser notado é do satisfatório retorno sonoro de uma cabeça estourada, que torna ainda mais recompensador o golpe de sorte que é detoná-la. Por outro lado, o trabalho de dublagem continua um bocado fraco, mesmo depois que a Capcom decidiu trocar os vídeos FMV por cutscenes em computação gráfica. O clima é de filme B, o que talvez venha agradar fãs de filmes de zumbi, mas nem tanto aqueles que estão a fim de uma experiência mais dark e madura.

Se o Resident Evil tradicional já era um game para gostos restritos, Resident Evil Archive: Resident Evil atende a um nicho ainda menos numeroso no Wii. Se você possui o game do Cube, este novo jogo não tem nenhuma novidade que o faça valer a pena ser revisitado e, mesmo assim, aqueles que gostam da série e não tiveram acesso ao Remake provavelmente não são um público numeroso de Wii. Os jogadores casuais, estes sim o nicho de mercado alvo do console, podem ser espantados pelo esquema de controle arcaico e o ritmo lento do jogo. O game ainda é um bom título? Claro que sim. Inclusive, se você é daqueles que conhecem Resident Evil só por meio do filme ou dos últimos dois games da série, fica nossa recomendação: jogue este game. É uma lição de história da série, e com um belo de um visual para compensar.

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