Notícia | Fliperama Análise
Ace Combat 6 Fires of Liberation
26/04/2010 às 12:19
Ace Combat 6 Fires of Liberation
“Dance como um anjo nos céus”. Eis o convite inicial de Ace Combat 6, o primeiro game de nova geração da famosa série de simuladores arcade de vôo e combate aéreo. A franquia é famosa por fazer jog...
8.4
Ótimo
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
“Dance como um anjo nos céus”. Eis o convite inicial de Ace Combat 6, o primeiro game de nova geração da famosa série de simuladores arcade de vôo e combate aéreo. A franquia é famosa por fazer jogadores se sentirem na pele de ágeis e experientes ases dos céus, sem que seja necessário treinamentos rigorosos ou a habilidade de suportar ondas de ânsia enquanto se manobra em velocidades acima do som. O sexto capítulo da série, devidamente capaz de proezas gráficas e sonoras superiores, promete ainda mais, e é bem possível que jogadores se sintam na pele dos heróis do filme Top Gun enquanto cruzam as nuvens virtuais do game. Ou mesmo pensem em uma partidinha "amigável" de vôlei. Mas deixando toda a impressão sensorial do game de lado, seria possível dizer que, debaixo da fuselagem, Ace Combat 6 seja uma experiência completa?

Câmbio, desligo!

Como de praxe na série, a trama do game se desenvolve mais ou menos como uma rede de acontecimentos e personagens. O país da Gracemeria (onde é que os caras tiram um nome destes?) é repentinamente atacado em um violento bombardeio aéreo, deixando para trás destruição e confusão, para ambos os lados do conflito. O game segue a história de uma mãe à procura de sua filha e de seu marido aviador, de uma segunda mulher em uma similar busca, apenas lidando com o lado oposto da guerra e um coronel meio saudosista, meio frio, encarregado de um grupo de prisioneiros de guerra. Mas nada do jogador. Sim, por mais que a execução da trama soe interessante e te dê uma idéia mais profunda e humana daquele ponto voador no seu radar com o qual você tem que travar combate, não faz muito para, de fato, contextualizar as missões da campanha. A primeira vez que o jogador tem o controle do caça, sob o esquadrão Garuda, é em meio à invasão da capital de Gracemeria, em que a missão é derrubar aviadores inimigos. Daí em diante, o gamer se encontrará em uma trama um pouco disléxica e salpicada de uma ou outra bizarrice sci-fi. Ou talvez porque arraias mecânicas voadoras sejam coisas legais para se colocar em um videogame.

A história fica em segundo plano em Ace Combat 6, deixando espaço para que a jogabilidade se torne o ponto focal da experiência. Como já disse, logo na primeira fase o jogador é desafiado por uma frota imensa de caças adversários e, embora você não seja mais um herói solitário (falaremos mais sobre isso em breve) é difícil deixar de lado a vontade de ser um ás, fazer manobras estupidamente impossíveis, rasgar o ar enquanto gira a aeronave em 360°, tudo enquanto se mantém na cola de um MIG inimigo, esperando o último momento para disparar o míssil, a tempo de passar por dentro da explosão e da densa fumaça preta. Este é o tipo de alegria que necessita de pouca contextualização, embora não justifique a falta de um enredo mais firme e adequado. Boa parte do prazer do gameplay vem de quão confiável e sólido são os comandos. O jogador controla a nave usando o direcional esquerdo para girá-la e os botões do topo para acelerar, frear e controlar os flaps para fazer leves ajustes no percurso do caça. O botão responsável pela aceleração é sensível à pressão: apertá-lo até um certo ponto simplesmente serve para aumentar a velocidade da aeronave. Apertá-lo até o fim faz com que o Afterburner traseiro ligue, injetando ainda mais potência e aceleração.

Há duas modalidades distintas de controle (Novice e Normal) e, no layout mais simples, é possível controlar o movimento do caça apenas com a alavanca esquerda. Mesmo que você nunca tenha jogado um game de vôo como este é recomendável começar mesmo no Normal: os comandos são muito mais realistas e só neste modo é possível realizar as acrobacias mais complexas do jogo. A maior novidade de AC6 está na possibilidade de se realizar curvas de efeito ao se acionar simultaneamente o acelerador e os freios. A manobra possibilita que o caça curve mais acentuadamente e facilita que o gamer desvie de mísseis teleguiados, uma boa novidade visto que alguns adversários mais para frente no game se armam de dispositivos precisos para te derrubar do ar. Apesar disso, a pontaria neste game acaba sendo uma virtude menos aproveitada, dada a larga quantidade de munição dada ao jogador a qualquer momento, além de áreas de campo eletrônico espalhado por alguns mapas que melhoram a performance dos mísseis.

Outra importante novidade está no esquadrão que lhe acompanha durante o curso do jogo. Embora ainda dê pra criticar o game por ter uma AI um pouco apática para seus companheiros, que mais parecem moscas percorrendo o cenário a esmo, uma mecânica foi aplicada para tornar o trabalho em equipe mais interessante. Seu caça será sempre acompanhado por um outro companheiro de esquadrão, que pode ser mandado para atacar um alvo diretamente à sua frente ou proteger sua retaguarda, tudo com um clique no direcional. O sistema funciona bem, fora um ou outro erro raro de ocorrer no combate. De tempos em tempos, é possível mandar um potente ataque conjunto com diversos aliados, a mais efetiva das manobras ofensivas do game. Não se engane, embora o game esteja tentando criar um cenário em que você não é mais o exército de uma pessoa só, a maior parte do combate vai ter que ser feito pessoalmente.

Sob um céu de brigadeiro

O game é dividido em algumas dezenas de missões. Cada uma conta com algumas metas próprias e tratam de um conflito ainda maior. Em AC6, nem todos os objetivos devem ser completos para que a missão seja um sucesso, o que abre um leque interessante de oportunidades. Embora se complete a missão uma vez, boa parte da experiência seria perdida se o jogador não retornasse e tentasse completar as outras metas deixadas para trás. Acredite: a experiência de jogo muda drasticamente em alguns dos casos. O jogador tem à disposição uma grande variedade de aeronaves, todas tiradas da vida real, mas que se diferenciam entre conceitos como mobilidade, defesa, velocidade, estabilidade e capacidade de ataque ar-ar ou ar-terra. As primeiras missões te deixam no controle de um F-16c, que embora seja apto a realizar manobras complicadas com facilidade, peca em força se comparado a, digamos, um F-150 Raptor. Aeronaves mais capazes são desabilitadas conforme o gamer progride no jogo, mas todas devem ser adquiridas usando dinheiro ganho no decorrer das missões. Cada modelo tem à disposição algumas armas especiais, que exploram alguns novos meio de se detonar adversários: desde bombas até uma saraivada de mísseis que atinge múltiplos alvos ao mesmo tempo. Estas também devem ser adquiridas com algumas boas verdinhas.

Para cada missão, o jogador precisa selecionar sua aeronave com antecedência, e aí vem um grande problema do game – e, convenhamos, de quase toda a série Ace Combat. Vamos supor que estejamos em uma missão que exige que você destrua uma série de alvos terrestres. A escolha óbvia para um piloto de primeira viagem é selecionar um bombardeiro com forte capacidade em ataque ar-terra e ir para o combate devidamente preparado. O problema é que cada missão vem com alguns acontecimentos-surpresa, e não seria incomum supor que você em breve seria atacado por um bando furioso de caças supervelozes, contra os quais uma aeronave de bombardeio não tem muita defesa. O fato é que essas reviravoltas são acontecimentos pré-concebidos no roteiro (ou seja, serão sempre as mesmas “surpresas” nas mesmas missões). Embora isso deixe de ser um problema se o jogador decidir visitar novamente o jogo, esta falta de previsibilidade pode desmotivar aqueles que estão experimentando o game pela primeira vez e causar uma quantidade um pouco indesejada de replays.

Se o jogo consegue com tal presteza capturar a atenção do jogador, boa parte é devido ao competente trabalho audiovisual. Embora muito tenha sido feito para aumentar a qualidade das texturas e o nível de detalhes dos modelos tridimensionais das aeronaves, que nesta versão estão de fato incríveis, o maior trunfo de Ace Combat 6 está nos efeitos visuais, mais precisamente na iluminação e no sistema de partículas. A luz influencia de forma realista todos os elementos visuais do jogo e uma espécie de Bloom Lightning suave é colocado no terreno logo abaixo, dando a impressão de que ele também reflete uma pequena porção da luz solar. Há muita naturalidade no modo como o céu e sua luminosidade trabalham em conjunto com os modelos gráficos. Se você virar o avião de modo que sua barriga fique contra o sol, é possível até perceber que tudo escurece sutilmente. Fantástico. Já o sistema de partículas é responsável por criar as nuvens e explosões mais realistas que já apareceram em um simulador de vôo de sua espécie. Um avião derrubado deixa para trás uma névoa volumétrica escura e a explosão dispara pequenos fragmentos flamejantes para todas as direções. Um efeito de distorção (blur) complementa o visual e dá uma ideia do calor que desprende dos escombros ou mesmo do Afterburner de sua própria aeronave, que faz com que a turbina aumente de temperatura até acender em um laranja vivo. Os efeitos não deixam de criar momentos um pouco esquisitos: falta a existência de uma trilha de fumaça saindo dos aviões em queda e não existe uma mescla interessante de diversos efeitos de névoa em conjunto. Tente disparar um míssil pouco antes de entrar em um bolsão de fumaça escura para entender o porquê.

Os modelos das aeronaves são muito bem realizados, animados e detalhados a um nível calculista. É possível ver cada flap agindo independentemente de acordo com o movimento da nave, além de diversos detalhes como compartimentos de mísseis e até mesmo o detalhado trem de pouso. Não à toa, o jogo funciona normalmente em terceira pessoa, deixando toda a nave 100% à vista. É possível ligar uma visão em primeira pessoa ou mesmo uma de dentro do Cockpit da nave (que muda para cada modelo, mas que conta com um sistema de iluminação menos cativante). O display – tanto durante o game quanto do menu - é informativo, mas não é nada diferente do de games anteriores da série. Os cenários são enormes e muito bonitos à distância, mas podiam usar de uma maior definição. Quando se voa rente ao chão, percebe-se que todo o cenário parece uma foto de satélite em baixa resolução com algumas árvores e construções colocadas aqui e ali. Problema muito comum em simuladores de vôo, mas que poderia ter sido sanado em certa extensão com o salto para o Xbox 360. Outra reclamação está na sensação de velocidade: basta sair um pouco para longe do chão e já não há a impressão de que você está domando uma aeronave de alta performance. Claro, num vôo real você não vai se sentir sempre se agarrando nas cadeiras, mas pra início de conversa, Ace Combat 6 não procura ser fiel à simulação. Seu estilo arcade poderia tirar proveito de um pouco de exagero nesse setor.

São os efeitos que também roubam a cena no departamento sonoro do game. Os mísseis voam com um assovio penetrante, as explosões são barulhentas e os avisos e comandos do time são todos apresentados de formas abafadas e cortadas por chuviscos. O ambiente sonoro cria uma sensação de imersão muito agradável. Ao menos até que você seja acordado pelo aviso desnecessariamente estridente de um inimigo na sua cola ou pela qualidade questionável de alguns dos diálogos. O game conta com uma agradável opção de customização da qualidade de som, contando com suporte para Sound Surround e fones de ouvido. As músicas de fundo, infelizmente, são bem monótonas, mas o grande problema que assombra a apresentação sonora do game está na verdade no péssimo trabalho de escrita. Há um motivo para essa análise ter começado com a frase “Dance como um anjo nos céus”: ela aparece em pelo menos uns 50% de todos os diálogos, parecendo ser a única ideia brilhante que o time teve quando pensaram no script. Okay, os anjos são os caças e quando combatem parece que eles dançam no céu. Genial, mas vamos para a próxima, por favor. De resto, os diálogos são assombrados por um simbolismo meio vago que, às vezes, se torna cômico sem querer. O trabalho de dublagem também está longe de ser estelar. Os atores imprimem pouca emoção aos personagens, o que é agravante para uma história emocionalmente carregada, que tem como temas a guerra, o esforço e a perda.

O grande defeito de Ace Combat 6 não está tanto em seus detalhes, mas no fato de que fora o visual, pouco mudou entre este e Ace Combat 5 ou 4. A sensação de fãs da série com este game pode ser de estagnação. Mas se você nunca jogou outro Ace Combat ou acha o Flight Simulator um pouco maçante, terá com Fires of Liberation uma experiência muito satisfatória. Este é um game cujo carro-chefe é a jogabilidade, levada a um patamar altamente satisfatório sem ser hiper complicado. Se você fechar os ouvidos durantes as longuíssimas cutscenes, poderá ter a impressão de que esse game está entre os melhores simuladores de combate aéreos já criados. E quer saber? esta sensação não será desmentida aqui. Altamente recomendado.
Norte Digital
Aviso Legal: O conteúdo deste site é disponibilizado e oferecido pela Norte Digital Entretenimento, em seu nome e por sua conta.
2000-2011 Fliperama - Todos os direitos reservados - Resolução recomendada 1280 x 1024