Notícia | Fliperama Análise
Costume Quest
10/11/2010 às 14:52
Costume Quest
Tim Schafer e equipe trazem um game inspirados na velha brincadeira de "travessuras ou gostosuras", mas que tem poucos truques na manga....
7.5
Bom
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
Talvez seja o Halloween a coisa mais próxima que nossos amigos gringos têm do nosso Carnaval. Deixando de lado toda a conotação cultural de ambas as festividades, o que elas tem em comum é o fascínio sobre deixar a persona cotidiana de cada um de nós pra segundo plano e adotar uma nova e fantasiosa identidade, nem que seja por um só dia. O que diferencia muito o Halloween - e o que o faz um excelente tema para um jogo de videogame - é a criatividade e ingenuidade infantil que permeia a festividade. É com esses elementos em mente que Tim Schafer, o badalado criador de Grim Fandango e Psychonauts, traz o game Costume Quest, um projeto desenvolvido em conjunto com a divertida artista Tasha Harris (http://www.doublefine.com/comics/Tasha/) que explora de maneira leve e deliciosa o espírito do Halloween. O sucesso da empreitada tem seus momentos: Costume Quest peca em não ser assim tão fantástico ou espetacular. É um chiclete doce como poucos, mas que logo mais perde o gosto.

Costume Quest aposta em uma história simples, de exposição direta e sem demasiadas firulas. É noite de Halloween, e os gêmeos Reynold e Wren não podiam estar mais divididos. Reynold é um menino do tipo cético, que não dá a mínima para um bando de moleques fantasiados correndo para lá e para cá com sacos de doce nas mãos. Wren, por outro lado, é uma entusiasta. A menina já tem sua fantasia prontinha no armário e mal podia esperar até que a noite chegasse, sem que nenhum desanimado pudesse estragá-la. Uma pena, então, que os dois sejam obrigados a ir juntinhos curtir a noite de Halloween. Seu primeiro ato no jogo é escolher quem vai ser o responsável da noite - leia-se aquele que você vai controlar durante o jogo. Seja lá quem for sua escolha, seu irmão protegido - vestido com uma terrível fantasia - é raptado por monstros, e fica a seu encargo resolver a encrenca. Daí, o game te leva a uma aventura simples, em que o objetivo é coletar todo o doce do bairro, encontrar parceiros e passar para o próximo quarteirão até chegar ao final do game.

Com um humor pontual, clima suburbano e uma câmera isométrica fixa, Costume Quest claramente tem como inspiração o clássico Earthbound, mas é apenas na aparência. Por baixo da fantasia, o jogo é um RPG simples e concisso. A missão geral do jogo é bater na porta de diversas residências atrás das preciosas guloseimas. Embora muitas sejam habitadas por adultos workaholics ou viciados por TV, mais do que felizes em encher sua sacola, outras te colocam cara-a-cara com um monstro inimigo. Nesses encontros, os personagens controlados se transformam em super-heróis, dependendo de qual fantasia eles estiverem usando no momento - não nos pergunte, o jogo também não se dá ao trabalho de explicar a transformação. Daí é simples questão de ordenar ações entre ataque, defesa, e uma habilidade especial única de cada roupa. É um sistema bem simples: a única sacada é que cada golpe ou defesa pode ser maximizado com o clique de um botão na hora certa, um elemento pego emprestado da série Paper Mario para dar uma apimentada no combate. Além disso, o jogador pode recolher figurinhas mágicas que permitem o incremento de alguma habilidade ativa ou passiva de seus personagens. É algo que ajuda a criar um senso de customização, mas a experimentação é jogada de lado a partir do momento que se percebe que o jogo te força a lutar com os mesmos inimigos constantemente.

O nosso principal problema com Costume Quest é que nada parece de fato convergir para lugar algum. O sistema de jogo que explicamos acima serve para resumir toda a experiência que você terá com o game. Embora Costume Quest seja um jogo bem mais inteligentemente costurado que Brütal Legend (o RTS/terceira-pessoa/automobilístico/open world de Tim Schafer), a equipe escolheu por bater constantemente na mesma tecla em seu design. Alguma missões laterais para adquirir novas fantasias e figurinhas e um minigame de recolher maçãs fazem o possível para tornar a experiência o mais variada possível, mas tudo acaba sendo destilado em um sistema de combate que aposta no lugar comum. Como um ponto positivo, Costume Quest, diferente de muitos RPGs, não pede que o jogador fique andando em círculos para aumentar o nível de seus personagens. O desafio é tal que você pode zerar o game de cabo a rabo sem perda de tempo em qualquer atividade desnecessária. O resultado é um game bem ritmado, mas que acaba cedo. Depois de completar todas as três áreas e vencer todos os desafios laterais, não há muito o que fazer com o game.

Por outro lado, o fator decisivo de sua experiência com o pequeno game da Double Fine vai ser o quão adorável e charmoso ele é visualmente falando. Os gráficos reproduzem o visual cel shaded, que faz com que tudo ganhe texturas simples e traço mais marcantes. O estilo da desenhista Tasha Harris realmente se traduz bem nos modelos virtuais, que mesmo sendo longe de serem complexos, trazem ao game uma estética divertida que lembra os seriados desenhados por Genndy Tartakovsky (como Laborátorio de Dexter e Meninas Superpoderosas). Os cenários, mesmo não sendo muito numerosos, são amplos e cheios de pequenos atalhos e passagens secretas (muitas acessadas com habilidades especiais de uma ou outra fantasia). Cada personagem traz uma personalidade própria e até os adultos, genéricos e numerosos, repetem algumas frases divertidas. Muito do charme do game está em um humor ingênuo e um estilo que nunca é exagerado ou carregado. Na verdade se todas as falas do jogo fossem colocadas no papel, elas poderiam passar facilmente como um Conto de Fadas, com seu estilo infantil, sem deixar de ser inteligente.

Costume Quest é um jogo bem diferente da forma para a Double Fine, que lembra mais um especial sazonal do que um game arrasa-quarteirão pelo qual seu produtor, Tim Schafer, é normalmente reconhecido. A premissa é essa mesma, mas a impressão é que a equipe poderia ter mexido mais na cozinha antes de lançar o game. Se por um lado o visual infantil e o estilo solto, simples e totalmente consciente de si mesmo certamente vai atrair os mais jovens, é difícil imaginar algo que irá verdadeiramente prender a atenção do jogador. O formato RPG Light de Costume Quest funciona bem, mas a falta de customização, variedade de inimigos e encorajamento à experimentação garantem que, por si só, o sistema não vai muito longe. Em um jogo curto (e baratinho) o problema não é assim um terrível agravante, o que nos leva a crer que se você não tem muita opção este mês, Costume Quest pode servir como um bom aperitivo. Só não espere uma saca cheia de doces.
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