Notícia | Fliperama Análise
Lucha Libre AAA: Héroes del Ring
22/10/2010 às 20:00
Lucha Libre AAA: Héroes del Ring
De fenômeno cultural a um game que remete mecânicas de jogos de 10 anos atrás, a primeira aventura da Konami no mundo da Lucha Libre tem muito o que aprender....
5.0
Aceitável
Mais sobre o jogo: ImagensVídeos
prós/contras
+ Campanha envolvente
+ Multiplayer balanceado
+ Quantidade de cinematics
+ Gráficos
+ Número de jogadores
- Poucas raças
- Poucas unidades
É interessante pensar no esporte e nos fenômenos que eles geram, ou que ao menos giram em torno deles. A partir das regras básicas do futebol, diversas demonstrações de habilidade com a pelota pipocaram e ganharam notoriedade, entre elas as desconcertantes apresentações de embaixadinha que, por um tempo, foram atraçõs dominicais na televisão. Nos Estados Unidos, o basquete - ou talvez mais exatamente algumas iniciativas sócio-culturais da década de 90 - fez surgir o Streetball, variante em que metade da quadra é usada geralmente para embates um-a-um às vezes surpreendentemente acrobático. E da luta livre, os mexicanos enxugaram aquilo que seria conhecido como Lucha Libre. "Enxugar" não é bem o verbo mais cabível se você parar pra assistir uma boa e velha "lucha" tradicional, confesso. Homens gigantes entram em um ringue de boxe vestidos de Spandex e com máscaras bem trabalhadas, desafiando seu oponente e seguindo à risca papéis de bandido e mocinho que fariam qualquer roteirista de novela corar de vergonha. Depois da troca de ofensas, a luta ocorre como uma veloz demonstração que mistura ginástica, espetáculo de rua e tudo no meio. É um estouro de tais proporções que não é incomum ver a própria platéia se engalfinhando no meio da peleja, entre mortais desafiadores e mata-leões que mais lembram um nó górdio. E não fica apenas no palco: com uma popularidade que rivaliza o futebol, o "esporte" movimenta um mercado que inclui quadrinhos, revistas e filmes, todos estampados com as máscaras multicoloridas de seus atores.

Mas se depender da Konami e da publisher mexicana Slang e seu game Lucha Libre AAA Héroes del Ring, a moda não vai pegar nos videogames assim tão cedo.

Lucha Libre AAA toma como base e fundamento principal a jogabilidade do clássico WWF No Mercy, deixando de lado, no meio do caminho, de se lembrar que não estamos mais nos anos 90. O sistema de jogo do game é bem simples: você tem botões definidos para cada golpe (socos e chutes) e um que executa um agarrão. No mais, o jogador pode usar as cordas de cada lado do ringue para se catapultar em direção ao usuário ou para esmagá-lo com o já famoso salto mortal, e aplicar um total de dois golpes especiais e uma técnica de submissão. Uma vez dentro de uma chave, a vítima deve apertar um botão repetidas vezes para sair. E isso é tudo o que você precisa fazer para vencer o game: socar e chutar seu oponente até ele ficar cansado, depois apostar em saltos suicidas e alguns agarrões, e terminar a luta com uma submissão. A Slang ao menos misturou um elemento a mais no game. Ao invés de ter uma barra de vida ou áreas de dano e fadiga como games mais tradicionais, o que governa seu sucesso em Lucha Libre AAA é sua notoriedade. Em uma tentativa de simular o espírito da "Lucha", o jogo exige que você esteja constantemente agradando o público para sair inteiro do embate. Ou seja, misturar técnicas mais estilosas aqui e ali será fundamental para se manter em pé - é possível até recuperar sua barra de notoriedade provocando o oponente com inputs do direcional digital. Com a barra completa, os luchadores ganham acesso aos dois golpes especiais já citados. Embora um conceito de uma barra de vida que possa ser recarregada em pelan batalha pode soar interessante, não há muito além disso que ajude a esquentar os combates.

O problema principal do jogo está em sua velocidade. Controlar o vilanesco Electroshock em um ringue de Lucha Libre deveria ser bem diferente de manejar os golpes de, digamos, The Undertaker, em um embate de wrestling, mas não é. Embora tenha tomado emprestado o esqueleto de antigos clássicos do N64 (o que está longe de ser um pecado inadmissível), a equipe aparentemente esqueceu que, para capturar a essência de seu material base, seria necessário acelerar a coisa um pouco mais. Todos os complicados movimentos e os saltos suicidas que fazem da Lucha Libre o espetáculo catártico que ela é parecem ser incapazes de ser realizados pelas lesmas que habitam o tatame de Héroes Del Ring, e todo o ritmo da luta soa incongruente por causa disso. A simplicidade do esquema de jogo serve para diferenciar o estilo do game de uma simulação nos moldes de UFC Undisputed 2010, mas é levada a consequências tão absurdas que nem sequer os combatentes lutam de maneira diferente uns dos outros. O jogo chega a explorar o conceito de bandido e mocinho, principalmente no modo carreira em que é possível fazer decisões quanto a sua imagem no ringue, mas não há nada que sirva ao próposito de contextualizar o jogador ou ao menos diversificar cada um 31 dos Luchadores envolvidos (incluindo nomes como Killer Clown, Psycho Clown e, surpresa! Zombie Clown).

Os modos de jogo contam com algumas opções variadas, como partidas de "Mascára versus Cabellera", em que o lutador perdedor deve escolher entre se desfazer de sua máscara ou raspar os cabelos. É divertido por alguns instantes, mas como o resto do game, carece de um bom senso de consequência e contextualização. E, claro, nada melhor do que uma partida com outro jogador (via online ou local) para esquecer um pouco do tédio do jogo. As partidas funcionam bem e podem até servir de um bom - porém breve - passatempo, já que são bem mais acessíveis do que muitos outros jogos de luta. Só não espere encontrar muitos desafiadores online; o jogo não está exatamente pipocando em popularidade no momento. Lucha Libre conta, finalmente, com um editor de máscaras surpreendntemente omplexo para a natureza do game em que foi incluído. É possível decidir padrões de cer, formato, e até acessórios como chifres e orelhas. Apesar do colorido todo, o jogo tem uma apresentação visual apenas mediana: embora tudo seja bem renderizado em 3D, as animações dos lutadores lembram as de jogos de PS2 e são robóticas e bizarras. Os luchadores tentam simular velocidade balançando os braços e pernas, mas mais parece que eles tem cola nos sapatos. lém do jeitão truncado dos movimentos, o jogo vez ou outra trava sem motivo aparente - normalmente antes de decisões no modo campanha ou durante a execução de alguns golpes nas partidas. O modelo tridimensional dos lutadores não guardam detalhes como gotas de suor dos esportistas de UFC Undisputed 2010, mas tudo bem. Afinal, quem sinceramente acha que Xtreme Tiger sequer sua durante uma chave de braço, não sabe nada de Lucha Libre!

A Lucha Libre é um fenômeno interessante. Uma demonstração que depende muito mais do espetáculo e da participação de seu público do que esportes tradicionais. A categoria é uma válvula de escape incomum, de um país em que metade da população ainda vive em situação de pobreza e um terço reside em áreas cujo PIB diário não ultrapassa US$11,5. A Lucha Libre é um misto borbulhante do orgulho e tradição de um povo que, fora das cirscuntâncias fantásticas de seus homens mascarados, ainda pena conflitos sociais gritantes. Em resumo, há muita energia por trás de um simples lucha, e uma simulação desse tipo de evento não devia se resumir a uma mecânica de 10 anos de idade. O slogan das propagandas do game é algo como "Isso não é Wrestling. É Lucha Libre", mas todo esforço da equipe de desevolvimento não parece fazer jus. Não temos dúvidas que o jogo achara público no seu país de origem (o jogo foi lançado primeiro no México, algo incomum para um game de console), mas não terá igual sucesso com quem não conhece o "esporte". É uma pena, mas esperamos que os desenvolvedores (a Immersion Games) e a Slang não parem por aí. Jogos de Lucha Libre não são coisa que se vê todo dia, e seria ótimo ver uma franquia vingar com tal abordagem. Mas por enquanto nós vamos ter que deixar Lucha Libre AAA na prateleira de "no bueno".
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